Mulheres que mudaram a história da ciência

Mulheres que mudaram a história da ciência

08 de março de 2022

Mulheres inesquecíveis e que mudaram a história

No dia 08 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. É uma data para a celebração das conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres aos longo dos anos. Desde o final do século XIX as mulheres vêm lutando por melhores condições de vida e trabalho. O ponta pé inicial desse batalha aconteceu, principalmente, na Europa e nos Estados Unidos.
No final dos anos 1800, as mulheres reivindicavam contra as longas jornadas de trabalho (mais de 15 horas por dia), os baixos salários e a discriminação de gênero. Fazendo um adendo, passados mais de 100 anos, podemos dizer que em pelo século XXI, ano de 2021, as mulheres apenas pararam de reivindicar quanto a jornada de trabalho fora de casa, regulamentada por leis trabalhistas para todos os trabalhadores. Igualdade salarial e de gênero é algo pelo qual ainda estamos constantemente na luta.
Dados históricos apontam que o Primeiro Dia da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos, onde mais de 1500 mulheres protestaram em prol da igual política e econômica no país. Esse é apenas um dos mais variados acontecimentos que levaram à criação de uma data especial para as mulheres. Um fato que muita gente sabe é o incêndio numa fábrica de camisas em Nova York em 25 de março de 1911. Ao todo 146 pessoas morreram, dessas 129 eram mulheres. Mas o que mais choca é o motivo pelo qual tanta gente morreu: as péssimas condições de trabalho, superlotação do local de trabalho e a uma porta estava fechada para impedir a fuga das trabalhadoras.
Mas o verdadeira 08 de março surgiu durante a Primeira Guerra Mundial - 08 de março de 1917. Uma manifestação com mais de 90 mil mulheres russas, conhecida como "Pão e Paz", que reivindicavam melhores condições de vida e trabalho. A data foi somente oficializada em 1921, mas no calendário da Organização das Nações Unidas (ONU) a data só foi incorporada em 1975.
A demanda de mão de obra consequência da Revolução Industrial, fez com que inúmeras fábricas passassem a empregar mulheres como mão de obra barata. No entanto, as condições insalubres de trabalho geravam frequentes protestos. Além disso, no início do século XX, as mulheres começaram a lutar pelo direito ao voto e à participação política.
Se formos avaliar a participação das mulheres na área da Ciência, a luta fica mais desigual. Ao pensarmos em cientistas que fizeram parte das revoluções na história na Ciência, logo nos vem a cabeça nomes como Einstein, Freud, Newton, Hawking. Agora, se pararmos para pensar em nomes de mulheres cientistas, quais nomes você consegue lembrar?
Embora muitas mulheres tenham revolucionado a Ciência, o preconceito predominante em suas épocas, acabaram tornando-as esquecidas, coadjuvantes ou excluídas.
Vamos listar a seguir algumas mulheres inesquecíveis que mudaram a história da Ciência e suas contribuições.

Ada Lovelace (1815 - 1852)

Foi a primeira programadora de computadores da história. Sim, isso mesmo! Mesmo tendo falecido em 1852, quando ainda não se cogitava o desenvolvimento dessa ferramenta. Filha de uma matemática e um poeta, a família de Ada queria que ela recebesse uma educação excepcional. A ideia de Ada Lovelace para os computadores é que além de cálculos, fosse possível a composição de música e, que fossem um prolongamento do pensamento humano.  Ada criou o primeiro programa de computadores da história.

Marie Curie (1867 – 1934)

Impossível fazer essa lista e não falar de Marie Curie, a única cientista mulher a ganhar dois Prêmios Nobel em categorias diferentes. Nascida na Polônia, Marie Curie se mudou para a França e lá conheceu seu marido, Pierre Curie, e adotou seu sobrenome. Física e química polonesa, é conhecida como a mãe da Física Moderna por suas importantes contribuições no campo da radioatividade. Marie descobriu os elementos polônio e rádio e foi a primeira pessoa a ganhar o prêmio Nobel em duas áreas diferentes: Química, em 1903, e Física, em 1911. O filme Radioactive retrata a sua história.

Virginia Apgar (1909 - 1974)

A Escala Apgar recebeu esse nome em sua homenagem, afinal ela foi a criadora do Teste Apgar, realizado nos recém nascido para avaliar seu estado geral ainda na sala de parto. Virginia foi uma médica americana especializada em anestesia, que fez descobertas no campo da neonatologia. Ela encontrou evidências de que alguns anestésicos usados durante o parto poderiam ser prejudiciais aos bebês, o que ajudou a diminuir a taxa de mortalidade infantil.

Gertrude Belle Elion (1918 - 1999)

Bioquímica e farmacologista, Gertrude era especialista no tratamento de doenças como leucemia e gota, sempre usando métodos inovadores de pesquisa.  Suas pesquisa contribuíram para o desenvolvimento de medicamentos  mais eficazes à rejeição de transplantes e no combate a doenças como AIDS, leucemia, herpes e malária. Ela recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 1988.

Rosalind Franklin (1920 – 1958)

Outra cientista que não podia ficar de fora da lista, Rosalind Franklin é um exemplo de cientista que não recebeu o reconhecimento por suas descobertas por ser mulher. Foi a partir dos trabalho dela que Watson e Crick descobriram a estrutura do DNA. Doutora em Física e Química, através das técnicas de cristalografia de raios-X, Rosalind conseguiu criar as primeiras imagens de raio-X do DNA, por isso ela é considerada a "Mãe do DNA".  Apesar de ter enfrentado muitos preconceitos ao longo da carreira em um ambiente dominado por homens, ela seguiu seu projeto na área.

Katherine Johnson (1918 - 2020)

Aos 14 anos Katherine Johnson se formou na escola, e aos 18  já era graduada em Matemática e  Francês. Trabalhou na Naca (Comitê Nacional para o Aconselhamento sobre Aeronáutica), que mais tarde se tornaria Nasa (Agência Espacial Norte Americana). Graças aos seus cálculos foi possível que o astronauta John Glenn orbitasse a Terra em 1962. Mas seu feito mais marcante foi o cálculo da trajetória de voo da Apolo 11, que levou os homens à Lua pela primeira vez em 1969. Sua história foi retratada no filme Estrelas Além do Tempo.

Marissa G. Schamne
Marissa G. Schamne
PhD | Cientista

Pesquisadora e professora universitária, farmacêutica por formação. Despertou o interesse pela pesquisa durante a faculdade na Iniciação Científica, que obviamente foi na área da neuropsicofarmacologia. Concluída a graduação, segue o caminho da carreira acadêmica e pesquisa até a co-fundação do Rigor Científico – onde encontrou uma maneira de expressar todo seu amor pela Ciência, e vislumbra a possibilidade de levar essas informações ao maior número possível de pessoas. Era uma pessoa tímida que conforme foi se inserindo no meio acadêmico encontrou uma forma de libertar-se dessa timidez, e agora matraqueia sem parar. Apaixonada pela natureza, esportes ao ar livre e a sensação de liberdade que isso traz. Gosta de viajar pelo mundo, seja através dos livros que lê ou das viagens que faz. Almeja alçar vôos mais altos divulgando ciência por aí.

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