Quero fazer uma revisão sistemática! Por onde começar?

Quero fazer uma revisão sistemática! Por onde começar?

20 de maio de 2022

Toda pesquisa a ser realizada necessita de um planejamento, o qual constitui a fase mais importante do processo, sendo considerado a base estrutural para que a pesquisa seja bem executada.

O planejamento de uma revisão sistemática (RS) é composto por algumas etapas, como a definição da equipe; a elaboração da pergunta de pesquisa; a busca de RSs anteriores sobre o tópico escolhido; e o agrupamento das informações em um protocolo.

Definição da equipe

Os autores da RS devem contribuir significativamente para a realização da pesquisa. O ideal é que os membros da equipe possuam habilidades e competências diferentes, sendo que o coordenador deve ter conhecimento suficiente sobre a metodologia da RS, para que possa instruir os outros autores durante os diferentes passos da pesquisa. Além disso, é de extrema importância que faça parte da equipe algum membro com domínio no tópico escolhido.

Elaboração da pergunta de pesquisa

Uma pergunta de pesquisa deve ser interessante, passível de ser respondida e inovadora. Deve ser uma pergunta clara, específica e bem delineada, podendo surgir a partir de uma pesquisa anterior ou de uma dúvida que surgiu na prática clínica.

Em alguns casos, pode existir uma RS sobre o tópico em questão já publicada, porém desatualizada. Se houver pesquisas novas e relevantes sobre o tópico pode ser viável realizar uma atualização da RS previamente publicada. Outro ponto importante diz respeito à confirmação da adequação do método de análise do risco de viés dos estudos individuais e da avaliação da qualidade da evidência na RS prévia, e se a atualização da RS poderia melhorar a credibilidade dos achados.Para facilitar a elaboração de uma boa pergunta de pesquisa, como estratégia didática são utilizados acrônimos: PICO, PECO ou PIRD. PICO representa um acrônimo para Paciente, Intervenção, Comparação e Outcome (desfecho). O E é referente à exposição; já para o acrônimo PIRD, o I refere-se ao teste a ser avaliado (index test), o R, ao teste de referência ou padrão-ouro (reference test) e o D, ao diagnóstico de interesse.

Busca de RSs anteriores sobre o tópico

Para averiguar a necessidade de uma nova RS ou a atualização de uma RS já publicada, os autores devem fazer uma breve busca na literatura por RS já realizadas ou em andamento.  Para este fim, pode-se recorrer à base de RS da Cochrane Library, denominada Cochrane Database of Systematic Reviews (CDSR) (https://www.cochranelibrary.com/cdsr/aboutcdsr), do Centre for Reviews and Dissemination (CRD) (https://www.crd.york.ac.uk/CRDWeb/) e do International Prospective Register of Systematic Reviews (PROSPERO) (https://www.crd.york.ac.uk/PROSPERO/), que contêm referências de revisões que estão em andamento (acesso ao protocolo registrado). 

Além disso, é necessário buscar RS e seus protocolos em bases de dados on-line de acesso aberto.

Agrupamento das informações em um protocolo

O protocolo é um projeto, um plano, e deve conter todas as informações necessárias para guiar o trabalho dos pesquisadores. Ele deverá ser registrado em alguma plataforma específica para esse fim e ficará disponível ao público. Os objetivos principais do registro do protocolo são promover transparência e evitar a duplicação de esforços, ou seja, evitar que duas equipes executem a mesma pesquisa simultaneamente. 

O protocolo deve conter as estratégias metodológicas para execução da RS e devem conter informações da estratégia de busca para identificar artigos de interesse, critérios de elegibilidade, dados que serão extraídos, avaliação do risco de viés dos estudos, métodos de análise dos dados e as formas para explorar as heterogeneidades.  

O protocolo deve conter todas as informações recomendadas no checklist PRISMA (Principais Itens para Relatar Revisões sistemáticas e Meta-análises), que pode ser encontrado no link http://www.prisma-statement.org/documents/PRISMA_2020_checklist.pdf.  

Referências: 1. Barbosa FT, Lira AB, Neto OBO, Santos LL, Santos IO, Barbosa LT, Ribeiro MVMR, Sousa-Rodrigues CF. Tutorial para execuc¸ão de revisões sistemáticas e metanálises com estudos de intervenção em anestesia. Ver Bras Anestesiol. 2019;69(3):299-306. 2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde. Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde. Diretrizes metodológicas: elaboração de revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde, Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2021. 3. De Luca Canto G. Revisões sistemáticas da literatura: guia prático. - 1.ed. – Curitiba: Brazil Publishing, 2020. 4. Page MJ, McKenzie JE, Bossuyt PM, Boutron I, Hoffmann TC, Mulrow CD, Shamseer L, Tetzlaff JM, Akl EA, Brennan SE, Chou R, Glanville J, Grimshaw JM, Hróbjartsson A, Lalu MM, Li T, Loder EW, Mayo-Wilson E, McDonald S, McGuinness LA, Stewart LA, Thomas J, Tricco AC, Welch VA, Whiting P, Moher D. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ. 2021 Mar 29;372:n71. doi: 10.1136/bmj.n71.

Juliana Larocca de Geus
Juliana Larocca de Geus

Doutora em Dentística Restauradora
Pós-doutorado em Odontologia - Endodontia
Professora Colaboradora do Departamento de Odontologia da UEPG
Professora do Mestrado da FACPP
Professora do Aperfeiçoamento e Especialização de Endodontia da ABOPG
Dentista Oficial Temporária do Exército Brasileiro
Responsável técnica da Clínica Be.O